Quando o respirador mecânico é utilizado no tratamento do coronavírus
Entenda os critérios para o início do suporte ventilatório.
Ainda sem uma vacina que possa imunizar a população do novo coronavírus, muitas pessoas acabam se contaminando e precisando de cuidados nos hospitais. Por lá, uma das principais alternativas no suporte aos pacientes é a respiração artificial, proporcionada pelo respirador mecânico.
Necessário em casos mais complexos, o respirador é um equipamento fundamental no salvamento de vidas, e pode ser utilizado em situações diversas.
No texto de hoje você vai entender melhor quando ele é utilizado em casos gerais, no tratamento do coronavírus, bem como seu funcionamento. Tenha uma ótima leitura!
O respirador mecânico
O respirador mecânico, também chamado de ventilador mecânico, é um equipamento que auxilia na entrada e saída de ar dos pulmões. Este aparelho pode ser usado em pacientes com insuficiência respiratória, ou seja, com baixa concentração de oxigênio no sangue e alto nível de dióxido de carbono (CO2).
Em suma, sua função é auxiliar o paciente a respirar, quando seu próprio corpo não é capaz de fazer a troca de gases.
Quando o respirador mecânico é usado?
De acordo com o Tecnoblog, o respirador mecânico é utilizado em casos de insuficiência respiratória. Os quadros que causam a necessidade do seu uso podem ser diversos, como por exemplo, doenças que:
- obstruem as vias aéreas;
- lesionam o tecido pulmonar;
- enfraquecem os músculos que controlam a respiração;
- reduzem a força respiratória.
O respirador mecânico no tratamento do coronavírus
Neste tipo de tratamento o conceito é o mesmo. O respirador é usado no caso de insuficiência respiratória. Mas vamos entender melhor os critérios para a sua aplicação.
De acordo com Fábio Oliveira, da Agência Einstein, os especialistas precisam utilizar a ventilação mecânica. É este o sistema de suporte ventilatório que ajuda os pacientes a suprirem a falta de oxigênio. Ainda que, de acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos indivíduos acometidos pela Covid-19 não apresentem sintomas da doença, outros 20% apresentam. Destes, 5% das pessoas podem apresentar a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SRDA), e precisam de cuidados da UTI, e a maioria deles precisa da ajuda do respirador mecânico.
Sendo assim, o suporte ventilatório se faz necessário em razão da inflamação dos pulmões, em uma tentativa do corpo de combater e eliminar o vírus do corpo.
O uso deste recurso é baseado em critérios objetivos. Os profissionais avaliam o nível de saturação do sangue, sobre a qual já falamos aqui. Ou seja, é mensurada a quantidade de oxigênio que está sendo transportada na circulação.
Essa mensuração é feita pelo oxímetro, aparelho que é colocado no pulso do indivíduo, sem o uso agulhas. Ele capta a mudança de cor do sangue, gerada pelas hemoglobinas, através de um sensor com luz infravermelha. Isso porque elas ficam mais brilhantes quando estão carregadas de oxigênio. A saturação não deve ser maior do que 94%.

Os tipos de suporte ventilatório
Existem, basicamente, dois tipos diferentes de ventilação mecânica, tanto para os pacientes com Covid-19 quanto para os indivíduos com outros problemas. São elas: a ventilação mecânica invasiva e a não invasiva.
Ventilação mecânica não invasiva
Os pacientes que não se encontram em quadros graves podem ser tratados com a ventilação não invasiva. Desse modo, o oxigênio é fornecido através de cateter ou máscaras, conectados a máquinas.
Ventilação mecânica invasiva
Por outro lado, quando os casos são mais graves, a ventilação mecânica invasiva acaba sendo a alternativa.
Nela, como o nome sugere, um tubo, que chega até a traqueia do paciente, é colocado pela boca. Ele estará sedado em um grau suficiente para sentir o mínimo de conforto.
Através dela, o pulmão fica em repouso, se recuperando, enquanto o respirador mecânico realiza a troca gasosa respiratória.
A fisioterapia respiratória no Covid-19
Em função do período de intubação, sedação e imobilização, a musculatura dos pacientes pode atrofiar. Aliás, a Covid-19 exige um período maior de ventilação mecânica. Enquanto o tempo médio para outras doenças era de cinco dias, o do coronavírus é de 15 a 20 dias.
Por isso, os fisioterapeutas em UTI também exercitam a parte motora dos pacientes, com o intuito de permitir que eles demorem menos tempo para retomar suas atividades normais.
A pesquisadora Camila Ribas, doutoranda em Fisioterapia na UFPR, diz: “Agora com a pandemia e o manejo dos aparelhos de ventilação mecânica e com os protocolos de mobilização precoce nas UTIs, a fisioterapia realmente pode mostrar o trabalho numa unidade de terapia intensiva”.
O respirador mecânico como alternativa
Até não termos uma vacina eficiente, a melhor forma de evitar o coronavírus é se protegendo, com todas as medidas recomendadas pela OMS. No entanto, quando necessário, o respirador mecânico se mostra o principal elemento no tratamento dos pacientes.
Vale lembrar que ele não cura a doença, mas sim, ajuda os acometidos a retomarem suas atividades respiratórias de forma saudável.
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